Filha diz como pai estava antes de ser m0rto por técnico de enfermagem, ele iria g…Ver mais
A família de João Clemente Pereira, de 63 anos, ainda busca entender como o pai foi assassinado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF). A vítima havia passado por uma cirurgia e apresentava sinais de melhora antes do crime. O caso faz parte de uma investigação que já identificou outras mortes suspeitas na unidade hospitalar.
O relato da filha
Valéria Leal Pereira, filha de João Clemente, contou ao Metrópoles que o pai foi ao hospital em 4 de novembro de 2025 após sentir dores de cabeça. Na época, médicos identificaram um coágulo na parte superior do crânio, o que exigiu uma cirurgia de emergência. O procedimento foi bem-sucedido, mas João apresentou complicações pulmonares devido à intubação.
Ele foi internado na UTI e, segundo Valéria, começou a melhorar com o passar dos dias. No entanto, em 18 de novembro, sem motivo aparente, o paciente sofreu quatro paradas cardíacas e morreu. “Ele entrou no hospital andando. Saiu daqui de casa dirigindo e tudo normal. Antes do procedimento, ele nos recebeu para falar que ficaria tudo bem. Porém, foi assassinado”, lamentou a filha.
João Clemente era servidor da Caesb e se aposentaria em dois anos. Ele deixou esposa, dois filhos e um neto. A família agora aguarda respostas da justiça sobre o caso, que está sendo investigado pela Polícia Civil do DF.
As outras vítimas
Além de João Clemente, outros pacientes foram vítimas dos técnicos de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva. Entre eles está Marcos Moreira, de 33 anos, morador de Brazlândia e funcionário dos Correios. Ele deixou uma filha de apenas 5 anos.
Marcos foi internado na UTI do Hospital Anchieta com dores abdominais e morreu no dia 1º de dezembro de 2025. Segundo relatos da família, ele chegou consciente ao hospital e conversava normalmente com a equipe médica. A esposa afirmou que a morte foi um choque para todos.
Outra vítima foi a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos. Ela morreu após um dos investigados aplicar desinfetante diretamente em sua veia por meio de uma seringa. Segundo o delegado responsável pelo caso, Miranilde recebeu o produto pelo menos dez vezes e teve o óbito declarado em 17 de novembro.
Investigações em andamento
A primeira fase da Operação Anúbis foi deflagrada em 11 de janeiro, com a prisão temporária de dois investigados e a apreensão de materiais relevantes para o caso. A segunda fase ocorreu na última semana, com a prisão de uma terceira pessoa e novas apreensões de dispositivos eletrônicos.
As investigações buscam esclarecer a dinâmica das mortes, o papel de cada suspeito e a possível participação de outras pessoas. A Polícia Civil também analisa pelo menos 20 atestados de óbito em hospitais do Distrito Federal que podem estar relacionados ao caso.
Enquanto isso, as famílias das vítimas continuam lutando por justiça e por respostas sobre as perdas irreparáveis. O caso segue sob análise, e novas informações devem ser divulgadas conforme o avanço das investigações.





