Homem Decide Escolher Próprio Caixã0 Antes De M0rrer E O Que Ocorre Após Sua M0rte Cho… Ver Mais
Aos 98 anos, o capixaba Anisio Lordes faleceu em sua casa, deixando um legado de amor, fé e singularidade. Nascido em Colatina, Espírito Santo, Anisio era conhecido por ter construído seu próprio caixão utilizando canudos de jornal, um trabalho artesanal que simbolizava sua profunda fé e sua maneira única de encarar a finitude da vida. Ele dedicou três anos para fazer os canudos e mais três meses para montar o caixão, detalhando cada aspecto do ritual de despedida.
Anisio não apenas construiu o caixão, mas também tirou as medidas necessárias, mostrando sua dedicação em não querer dar trabalho a ninguém. Ele chegou a ensaiar como seria o velório, escolhendo as músicas da despedida e contando com a ajuda de amigos e vizinhos. Essa atitude reflete sua personalidade carinhosa e devota, que conquistou o coração de todos na cidade.
Em uma entrevista ao programa Em Movimento em 2019, Anisio reforçou sua vontade de ser sepultado no caixão que ele mesmo construiu. Com bom humor, ele disse: ‘A única coisa que está faltando é Deus me chamar’. Essa frase marcante ilustra sua aceitação serena da morte, uma característica que inspirou muitos ao seu redor.
Infelizmente, o desejo de Anisio não poderá ser realizado. Com o passar dos anos, a estrutura de papel se desgastou e acabou inutilizada. No entanto, a família entende essa iniciativa como parte do legado simbólico deixado por ele, uma prova de sua fé e sua maneira única de enfrentar a vida e a morte.

A despedida que ele planejou
O sepultamento de Anisio Lordes está marcado para este sábado (20), no cemitério do distrito de Itapina. Mesmo que o caixão que ele construiu não possa ser usado, a família planeja honrar sua memória de outras maneiras. Os detalhes do ritual de despedida que ele tanto cuidou serão lembrados e celebrados por todos que o conheciam e amavam.
Anisio era uma pessoa que vivia intensamente, segundo sua sobrinha Elizabeth Lordes. ‘Ele viveu do jeito que quis. Era muito querido, todo mundo na cidade gostava dele. Uma pessoa devota, que trabalhava com artes e espalhava carinho por onde passava’, ela relembra com carinho. Essas palavras encapsulam o impacto positivo que Anisio teve na comunidade.
Apesar da perda, a família encontra consolo na maneira como ele viveu sua vida e na forma como enfrentou a morte. Ele deixou um exemplo de como viver com amor, fé e aceitação, valores que continuarão a inspirar aqueles que tiveram o privilégio de conhecê-lo.
O caixão de papel pode não estar mais intacto, mas o simbolismo por trás dessa obra permanece vivo. Ele representa a jornada única de Anisio, sua criatividade e sua conexão com o divino. Essa história continuará a ser contada, mantendo viva a memória de um homem que tocou tantos corações.
Um legado que permanece
Anisio Lordes não foi apenas um artesão talentoso, mas também um exemplo de como encarar a vida e a morte com dignidade e fé. Sua iniciativa de construir seu próprio caixão e planejar seu ritual de despedida mostra uma abordagem profundamente pessoal e espiritual da finitude humana.
Ele acreditava em não deixar nenhum fardo para sua família, algo que ele demonstrou ao tirar suas próprias medidas para o caixão e ensaiar seu velório. Essa atitude altruísta é um testemunho de seu caráter e de seu desejo de cuidar de seus entes queridos até o último momento.
Mesmo que o caixão de papel não possa ser usado, a história de Anisio continuará a ser uma fonte de inspiração. Ele nos lembra da importância de viver autenticamente, de abraçar nossa fé e de enfrentar a morte com coragem e humor. Seu legado é um farol para todos nós, especialmente em momentos de perda e luto.
Em última análise, Anisio Lordes deixou mais do que um objeto artesanal; ele deixou uma lição de vida. Sua história nos ensina que a morte, assim como a vida, pode ser enfrentada com amor, fé e um toque de singularidade. E é assim que ele será lembrado, como um homem que viveu plenamente e partiu de maneira igualmente única.





