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O desfile da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí não passou despercebido na noite deste domingo. A escola abriu a programação com um enredo que homenageia o presidente Lula e retrata momentos marcantes da política brasileira recente. No entanto, uma das alegorias chamou atenção de forma especial. Um palhaço sentado atrás das grades, usando tornozeleira eletrônica danificada, virou o centro das discussões.
A figura foi interpretada por muitos como uma alusão ao ex-presidente Jair Bolsonaro, frequentemente apelidado de “Bozo” por opositores. Embora o nome do ex-presidente não tenha sido citado oficialmente durante o desfile, as referências foram consideradas claras por parte do público. A sinopse mencionava resistência a uma tentativa de golpe e prisão de mentores. O simbolismo foi rapidamente comentado nas redes sociais.
Além do palhaço preso, a comissão de frente trouxe encenações representando Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer. A passagem da faixa presidencial, seguida da retirada simbólica do adereço de Dilma, fez referência ao impeachment. Bolsonaro voltou a ser representado como palhaço em outro momento da apresentação. Ele apareceu fazendo gestos conhecidos e próximo a cruzes com o número de mortos pela covid-19.
A combinação de elementos políticos transformou o desfile em um dos mais comentados da noite. O último carro trouxe um boneco de Lula com a faixa presidencial, reforçando o retorno ao terceiro mandato. A proposta artística foi vista por apoiadores como manifestação cultural. Já críticos classificaram como provocação política explícita.
Alegorias, críticas e mensagens no samba-enredo
Segundo a escola, a alegoria com o palhaço simbolizava retrocessos em políticas públicas recentes. A narrativa também citava episódios ligados à pandemia e às discussões sobre vacinação. Trechos faziam referência a falas polêmicas envolvendo vacinas. O contexto reforçou a leitura política do espetáculo.
No samba-enredo, expressões como “saber perder” e “não fugir” foram interpretadas como indiretas ao bolsonarismo. A letra defendia a escolha consciente de heróis e criticava mitos falsos. Ainda que não houvesse menção nominal a adversários políticos, o subtexto foi amplamente debatido. A plateia reagiu com aplausos e vaias em diferentes setores.
A escola destacou que seu enredo abordava a trajetória política recente do país. O objetivo declarado foi retratar momentos históricos sob perspectiva artística. O Carnaval, tradicionalmente espaço de crítica social, mais uma vez se tornou palco de debate. A Sapucaí misturou espetáculo e posicionamento simbólico.
Especialistas lembram que o Carnaval carioca frequentemente incorpora temas políticos em seus desfiles. Ao longo das décadas, alegorias já criticaram governos, decisões econômicas e figuras públicas. A liberdade artística é parte da tradição da festa. Ainda assim, o impacto costuma dividir opiniões.
TSE liberou desfile, mas com ressalvas
O desfile foi questionado judicialmente antes mesmo de acontecer. Uma ação tentou classificá-lo como possível propaganda eleitoral antecipada. O Tribunal Superior Eleitoral entendeu que não poderia impedir o evento antes de sua realização. Contudo, deixou claro que a análise poderia ocorrer posteriormente.
A decisão ressaltou que a liberação não representava salvo-conduto para eventual irregularidade. Isso manteve o debate jurídico em aberto após o espetáculo. A repercussão política foi imediata. Lideranças comentaram a apresentação nas horas seguintes.
Enquanto apoiadores celebraram o tom crítico, opositores classificaram o desfile como ofensivo. O episódio ampliou a discussão sobre limites entre arte e política. A Sapucaí, mais uma vez, extrapolou o entretenimento. O enredo da Acadêmicos de Niterói entrou para a lista dos mais comentados do Carnaval 2026.




