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Só Veja Se Tiver C0ragem: O C0rpo Foi Queimad0 Por Dias, Mas O Que Fizeram Antes Vai Te Choc4r… Ler Mais

Uma descoberta arqueológica no norte do Mali está reescrevendo a história das práticas funerárias na África. Fragmentos de ossos queimados encontrados próximos ao Monte Hora revelaram a pira de cremação mais antiga já registrada no continente, datada de cerca de 9.500 anos. Este achado lança luz sobre os rituais elaborados de caçadores-coletores e levanta questões intrigantes sobre o tratamento dado a uma mulher específica.

A descoberta histórica

O sítio arqueológico, chamado Hora 1, foi escavado pela primeira vez na década de 1950, mas apenas pesquisas recentes revelaram sua importância. Os ossos encontrados pertenciam a uma mulher de estatura média, com idade entre 18 e 60 anos. A análise forense indicou que ela media pouco menos de 1,5 metro e apresentava sinais de uso intenso dos braços.

Mais de 100 fragmentos ósseos foram recuperados da pira funerária, que tinha o tamanho aproximado de uma cama queen size. A estrutura estava localizada sob uma saliência natural de rocha, capaz de abrigar até 30 pessoas. Este local foi habitado por caçadores-coletores há cerca de 21.000 anos, mas a cremação foi um evento único.

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Segundo o portal Pronatec, “a cremação é muito rara entre caçadores-coletores antigos e modernos, devido ao grande esforço necessário para realizar o ritual.” A descoberta, portanto, é considerada extraordinária e desafia as noções prévias sobre as práticas mortuárias da época.

Um ritual complexo

A análise dos sedimentos da pira mostrou que o fogo atingiu temperaturas superiores a 500 graus Celsius. Para alcançar isso, os caçadores-coletores coletaram cerca de 30 quilos de madeira seca, um esforço considerável para uma sociedade nômade. O fogo ardeu por horas ou até dias, exigindo manutenção constante para manter a chama viva.

Além disso, foram encontradas pontas lascadas de ferramentas de pedra na pira, sugerindo que objetos funerários foram adicionados durante a cremação. Marcas de corte nos ossos indicaram que parte da carne foi removida antes da queima, um detalhe que os pesquisadores consideram parte de um ritual de memória.

“Há evidências crescentes de rituais mortuários que incluem a remoção e conservação de partes do corpo, talvez como relíquias,” explicou Jessica Cerezo-Román, antropóloga da Universidade de Oklahoma. Este cuidado reforça a complexidade das práticas culturais dos caçadores-coletores.

Mistérios sem respostas

Um dos maiores enigmas é a ausência de fragmentos do crânio e dos dentes na pira. Essas partes geralmente são preservadas em cremações, o que sugere que a cabeça pode ter sido removida antes da queima. Os pesquisadores descartaram a hipótese de canibalismo, já que as marcas de corte nos ossos são diferentes das encontradas em animais.

Outra questão intrigante é por que apenas essa mulher foi cremada, enquanto outros indivíduos no local foram enterrados de forma convencional. “Circunstâncias incomuns em sua vida ou morte podem ter motivado esse tratamento especial,” afirmou Elizabeth Sawchuk, curadora do Museu de História Natural de Cleveland.

A descoberta reforça a ideia de que os caçadores-coletores tinham sistemas de crenças avançados e uma complexidade social maior do que se imaginava. “Eles claramente tinham uma intenção e um propósito ao realizar esse ritual,” concluiu Sawchuk, destacando a importância do achado para a compreensão da história humana na África.

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